João da Silva
Cinema que faz ver, cinema como fábrica de visõesO Cinema Nômade é um movimento que investe no pensamento crítico e criativo, na multiplicação dos pontos de vista de práticas culturais diversas e na descentralização de posturas e conhecimentos, e se materializa por meio de exibições de filmes pré-selecionados, cujas temáticas destacam e problematizam os modos da sociedade produzir desejo, subjetividade, corpo e conhecimento. Após a exibição do filme, o debate tem como objetivo oferecer aos participantes um meio vivo de criação de ideias acerca do modo de viver contemporâneo.

O objetivo do projeto é levar o público a experimentar o que pode o pensamento quando posto em conexão com um uso intenso das sensações estéticas e das forças criativas que existem em todos nós.

A sociedade atual passa por uma crise de criatividade, que por vezes a obriga a responder com reformas precárias aos problemas da miséria, exclusão, violência e decadência de valores, sem transpor as causas desses males. Daí a importância de criarmos dispositivos para reabrir um campo crítico e criativo de percepção e uso das sensações.

A exibição do filme é precedida de uma análise. A projeção, que também pode ser feita de forma descontínua, é intercalada com análise e conversação acerca de cada movimento do filme que contrasta com o senso comum. Este formato oferece uma fruição em forma de aula, um aprendizado sobre a construção da obra, possibilitando vencer, gradualmente, através de questões localizadas, as dificuldades mesmo das obras mais complexas, ricas em pensamentos e sensações que ultrapassam o domínio da opinião geral e do consenso. Esse procedimento conta com a participação ativa da plateia.


História do Cinema Nômade


O primeiro evento de Cinema Nômade realizado pela Escola Nômade de Filosofia aconteceu em 03 de fevereiro de 2006, tornando-se, a partir de então, um evento mensal. Todos os eventos sempre foram oferecidos gratuitamente.

Em 2009 o projeto inaugurou uma segunda fase, recebendo seu primeiro patrocínio, através do Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura e Programa Cultura Viva - Pontos de Cultura. No ano de 2010 o projeto foi contemplado pelo Ministério da Cultura com o Selo Cultura Viva.

Até essa fase do projeto foram realizados um total de 77 eventos e beneficiadas 3.850 pessoas, em sua maioria jovens artistas. Durante esse período de realização o Cinema Nômade recebeu apoios de diversos setores da sociedade civil, instituições públicas e privadas, entre eles: Oficina Cultural Oswald de Andrade, Cinemateca Francesa, Espaço Unibanco de Cinema, LocaWeb, Ecco Press comunicação, entre outras. Foram realizadas parcerias com diversos artistas, entre eles: João Moreira Salles, Grupo XIX de Teatro, Barracão Teatro, Cia de Teatro de Heliópolis, Cia Livre de Teatro, Key e Zetta Cia de Dança, entre outras.

Nos anos de 2012 e 2013 através do projeto Cinema Nômade - Cinema que faz ver, Cinema como fábrica de visões realizou uma sequência de 48 eventos com exibição de filmes e realização de aulas-debates para comunidades localizadas em regiões de alta vulnerabilidade social, escolas públicas e centros culturais da cidade de São Paulo. Estes eventos tiveram o patrocínio de empresas privadas como Dr. Oetker e SIL Fios e Cabos Elétricos por meio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Programa de Ação Cultural 2011; e apoio de diretores de cinema e produtoras, como: Débora Diniz, Eduardo Coutinho, João Moreira Salles, Marcos Prado, Downtown Filmes, Video Filmes, Zazen produções.

Em 2014 e 2015 a Escola Nômade realizou ciclos de eventos de Cinema Nômade no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, em unidades da Fundação Casa e em Bibliotecas Públicas Municipais da Cidade de São Paulo, pela primeira vez em formato de Laboratório. Os laboratórios tem como objeto a problematização dos movimentos minoritários, sociais, raciais/étnicos e culturais. As minorias quando querem ser maioria buscam a identidade como uma arma, o que no entanto pode contradizer os movimentos de afirmação de suas singularidades e diferenças. Para colocar o problema e esboçar linhas de liberação geradoras de autonomia para movimentos minoritários, foram realizadas exposições teóricas sobre a natureza do Estado, da Identidade e da Diferença como crítica e ponte para transmutar os modos de se fazer cultura viva.

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